Novo controle de passaportes provoca filas de até 5 horas em aeroportos da Europa

Setor aéreo pressiona União Europeia por suspensão temporária do sistema durante as férias de verão; Comissão Europeia reconhece problemas, mas resiste a recuar   O novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia acendeu um alerta no setor aéreo europeu após relatos de filas de até cinco horas em aeroportos e pontos de entrada […]

Setor aéreo pressiona União Europeia por suspensão temporária do sistema durante as férias de verão; Comissão Europeia reconhece problemas, mas resiste a recuar

 

O novo sistema de controle de fronteiras da União Europeia acendeu um alerta no setor aéreo europeu após relatos de filas de até cinco horas em aeroportos e pontos de entrada do bloco. Companhias aéreas e administradores de aeroportos afirmam que o Entry/Exit System, conhecido como EES, está provocando atrasos, perda de conexões e até embarques com aviões parcialmente vazios, enquanto passageiros permanecem presos no controle de passaportes.

A medida exige que viajantes de fora da União Europeia registrem dados biométricos, como foto facial e impressões digitais, ao entrar ou sair do Espaço Schengen. O objetivo oficial é modernizar o controle migratório, substituir parte dos carimbos manuais em passaportes e aumentar a segurança nas fronteiras. No entanto, a implantação gradual do sistema, iniciada no ano passado, tem enfrentado falhas operacionais justamente no período de maior movimento turístico na Europa.

Entidades que representam aeroportos e companhias aéreas pedem que a Comissão Europeia permita a suspensão temporária dos controles biométricos durante julho e agosto, meses de pico das férias de verão no continente. O setor alerta que os postos de controle não estão conseguindo processar o volume de passageiros com a velocidade necessária, criando gargalos dentro e fora dos terminais.

A situação preocupa especialmente destinos turísticos como Grécia, Itália, Espanha, Portugal e Bélgica. Em alguns aeroportos gregos, passageiros chegaram a esperar do lado de fora, obrigando operadores a montar estruturas de proteção contra o sol. Segundo relatos do setor, pessoas vulneráveis precisaram receber prioridade para evitar riscos durante a espera prolongada.

O impacto também chega às companhias aéreas. Representantes do setor afirmam que alguns voos foram atrasados porque passageiros ainda estavam retidos nas filas de imigração. Em outros casos, aeronaves chegaram a partir com assentos vazios, mesmo com passageiros presentes no aeroporto, mas impossibilitados de chegar ao portão a tempo.

Apesar da pressão, a Comissão Europeia tem rejeitado uma suspensão ampla da medida. Autoridades do bloco afirmam que os problemas estão concentrados em uma minoria dos pontos de fronteira, citando cerca de 20 locais considerados críticos entre aproximadamente 1.500 postos de controle. Ainda assim, a própria União Europeia reconhece que o sistema “não é perfeito” e cobra que os países-membros adotem medidas emergenciais para reduzir o impacto sobre os passageiros.

Para o setor aéreo, o problema vai além do desconforto momentâneo. Aeroportos e companhias temem que a experiência negativa afete a imagem da Europa como destino turístico, especialmente em uma temporada marcada por forte demanda. A estimativa é que os aeroportos europeus recebam cerca de 40 milhões de passageiros a mais em julho e agosto em comparação com os dois meses anteriores, aumentando ainda mais a pressão sobre a estrutura de fronteiras.

Enquanto não há uma decisão definitiva, passageiros que viajam para a Europa são orientados a chegar com antecedência maior aos aeroportos, acompanhar comunicados das companhias aéreas e verificar possíveis mudanças nos procedimentos de entrada e saída do Espaço Schengen. A crise expõe o desafio da União Europeia: modernizar suas fronteiras sem transformar a tecnologia em um novo ponto de congestionamento para milhões de viajantes.