Fundos de crédito com exposição acima de 50% têm resgates de quase R$ 50 bilhões em dois meses

Resgates Após Aumento da Volatilidade Os fundos de investimento com exposição superior a 50% em ativos de crédito privado registraram resgates de aproximadamente R$ 49,2 bilhões apenas nos meses de abril e maio de 2026. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e refletem um cenário […]

Resgates Após Aumento da Volatilidade

Os fundos de investimento com exposição superior a 50% em ativos de crédito privado registraram resgates de aproximadamente R$ 49,2 bilhões apenas nos meses de abril e maio de 2026. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e refletem um cenário de maior cautela entre os investidores diante do desempenho do segmento.

Segundo a entidade, o movimento ocorre após a rentabilidade desses fundos perder força nos últimos meses, em meio ao ambiente de juros elevados e ao aumento dos riscos de crédito no mercado.

Resgates se concentraram nos últimos dois meses

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De acordo com o levantamento da Anbima, os fundos de renda fixa com pelo menos 10% de exposição em crédito privado acumularam captação líquida positiva de R$ 14,4 bilhões entre janeiro e maio de 2026.

No entanto, esse resultado foi impulsionado exclusivamente pelo desempenho do primeiro trimestre do ano.

A partir de abril, o cenário mudou significativamente, com saídas de R$ 3,3 bilhões no mês e de R$ 24,8 bilhões em maio. As maiores retiradas ocorreram justamente nos fundos com exposição superior a 50% em ativos de crédito privado.

Rentabilidade perdeu força desde março

Além do aumento nos resgates, os fundos mais expostos ao crédito privado apresentaram desempenho abaixo das expectativas.

Em março, a rentabilidade média foi negativa em 0,39%. Em abril, os fundos praticamente ficaram estáveis, registrando alta de apenas 0,03%.

Já em maio, houve uma recuperação parcial, com rendimento médio de 0,55%, resultado considerado insuficiente para reverter a saída de recursos observada no período.

Juros elevados aumentam riscos para empresas

Pedro Rudge , Socios da Leblon Equities, fotografado na gestora no Leblon

Segundo o diretor da Anbima, Pedro Rudge, a volatilidade observada no segmento está diretamente ligada ao atual cenário de juros elevados.

Como os fundos de crédito privado investem em títulos emitidos por empresas, o aumento do custo de financiamento reduz a capacidade de pagamento de algumas companhias e eleva o risco de inadimplência.

Além disso, empresas que precisam captar novos recursos acabam enfrentando condições financeiras mais restritivas.

Renegociações e inadimplência preocupam o mercado

Ainda de acordo com a Anbima, o ambiente econômico atual tem provocado crescimento nas renegociações de dívidas corporativas e no número de casos de inadimplência.

Para Pedro Rudge, esse movimento é consequência do período prolongado de juros elevados enfrentado pelo mercado brasileiro.

Segundo o executivo, o cenário vem pressionando tanto empresas quanto gestores de fundos, refletindo diretamente no comportamento dos investidores.

Mercado acompanha próximos movimentos da economia

Apesar da forte saída de recursos registrada nos últimos meses, o segmento de crédito privado continua sendo acompanhado de perto por investidores e gestores.

A expectativa do mercado é que a evolução das taxas de juros, das condições de financiamento das empresas e do desempenho econômico nos próximos meses seja determinante para a recuperação da confiança e para o comportamento dos fundos ao longo de 2026.