Mudança emergencial expõe tensão interna na estatal e abre caminho para nova reconfiguração no comando da empresa
A Petrobras promoveu uma troca imediata em sua diretoria após fortes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um leilão de gás natural realizado pela companhia. A decisão foi tomada em reunião emergencial do Conselho de Administração na última segunda-feira (6), evidenciando o clima de tensão dentro da estatal.
Deixa o cargo o então diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser. Para seu lugar, foi nomeada Angélica Laureano, que assume oficialmente a função a partir desta terça-feira (7).
A mudança ocorre poucos dias após Lula classificar o leilão de gás como uma “cretinice” e uma “bandidagem”, demonstrando insatisfação com os preços elevados alcançados no processo. Segundo avaliações do governo, os valores negociados poderiam impactar diretamente o consumidor final, com repasses nas tarifas de gás.
Durante a reunião, a presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou aos conselheiros que não tinha conhecimento prévio sobre a realização do leilão — fator que contribuiu para a decisão de substituição no comando da área.
Além da troca na diretoria, a Petrobras deve passar por novas mudanças em sua estrutura de governança. O governo federal pretende indicar Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para assumir a presidência do Conselho de Administração da empresa.
A vaga foi aberta após a saída de Bruno Moretti, que deixou o posto para assumir o Ministério do Planejamento. Até a realização da assembleia marcada para o dia 16 de abril, o Conselho será comandado interinamente por Marcelo Weick Pogliese.
As mudanças indicam uma possível reorientação estratégica na Petrobras, em meio ao esforço do governo para exercer maior controle sobre decisões consideradas sensíveis, especialmente aquelas com impacto direto na economia e no custo de vida da população.



