Meia do Cruzeiro afirma que foi prejudicado em sua saída do clube carioca, cobra mais de R$ 6,3 milhões em luvas e diz ser alvo de “má-fé” e “jogo sujo extracampo”
A disputa judicial entre Flamengo e Gerson ganhou novos contornos e elevou ainda mais a temperatura nos bastidores do futebol brasileiro. Em contestação apresentada à Justiça, o meia do Cruzeiro rebate a cobrança de R$ 42,7 milhões feita pelo clube carioca e acusa o Rubro-Negro de agir com má-fé, violar direitos trabalhistas e mover a ação por “sede de vingança”.
O documento, protocolado na noite desta quarta-feira na 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro, também inclui a FGM Sports, empresa de Marcão, pai e empresário do jogador. Na peça, a defesa pede a extinção do processo e sustenta que o contrato foi encerrado de forma regular após o pagamento integral da cláusula indenizatória pelo Zenit, da Rússia.
Segundo os advogados do atleta, o ponto central da discussão está na interpretação da cláusula 6.2 do contrato. A defesa argumenta que, uma vez quitada integralmente a multa indenizatória desportiva, não haveria qualquer penalidade adicional a ser exigida de Gerson. Para os representantes do meia, o pagamento da cláusula significou o cumprimento do contrato, e não o seu inadimplemento.
Em um dos trechos mais duros da contestação, os advogados afirmam que Gerson vem sendo tratado como “um cordeiro mudo levado ao matadouro”. A defesa destaca que o jogador não fez entrevistas, não publicou notas e tampouco se pronunciou nas redes sociais sobre o caso, limitando-se à frase de que “no momento certo contará umas verdades”.
Outro ponto levantado pela defesa é a suposta condução irregular da saída do atleta do Flamengo. De acordo com o documento, Gerson teria assinado documentos em confiança, sem imaginar que pudesse ser prejudicado posteriormente. Os advogados afirmam que o pedido de demissão foi feito sob orientação do departamento de Recursos Humanos do clube, que teria tratado o procedimento como mera formalidade burocrática, sem alertar o jogador sobre eventuais consequências jurídicas.
A defesa ainda afirma que o atleta assinou a renovação contratual sem perceber uma redução drástica da cláusula indenizatória para transferência internacional. Conforme o documento, a multa, que antes era de 200 milhões de euros, teria sido reduzida para 25 milhões de euros após a renovação firmada em abril de 2025, quando o contrato foi estendido até 2030.
Além de contestar a cobrança milionária, Gerson acusa o Flamengo de ter cometido uma série de irregularidades contratuais. Entre elas, a defesa cita a suposta utilização do contrato de imagem apenas para reduzir encargos trabalhistas, a demora no envio do TRCT após a rescisão, a assinatura de recibos sem data durante a Copa do Mundo de Clubes de 2025 e, principalmente, o não pagamento de R$ 6.304.999,92 em bonificação de luvas.
Esse valor, segundo a defesa, jamais foi quitado pelo clube carioca, apesar de estar previsto contratualmente. Para os advogados, esse descumprimento seria um dos elementos mais graves da relação entre as partes e reforçaria a tese de que o atleta foi lesado durante o processo de desligamento.
A contestação também atribui ao atual presidente do Flamengo uma motivação pessoal para o ajuizamento da ação. Segundo a defesa, Gerson estaria sendo vítima de vingança pelo fato de ter retornado ao futebol brasileiro para atuar no Cruzeiro. Os advogados ainda insinuam que a movimentação judicial teria sido influenciada pelo contexto político e esportivo envolvendo nomes ligados à atual diretoria celeste.
Outro questionamento feito no documento diz respeito ao timing da ação. A defesa pergunta por que o Flamengo só decidiu ingressar na Justiça após o retorno de Gerson ao Brasil, e não no momento da transferência para o Zenit. Para os representantes do jogador, isso reforçaria a suspeita de retaliação e de tentativa de criar desgaste não apenas para o atleta, mas também para seu atual clube.
Até o momento, o Flamengo não havia se manifestado oficialmente sobre o teor da defesa. Com isso, o caso segue aberto e promete novos capítulos, em uma disputa que ultrapassa o campo jurídico e se transforma em mais um embate explosivo entre um dos principais nomes do futebol nacional e o clube onde ele viveu parte marcante da carreira.



