Painel apresentado por Edson Fachin mostra avanço acelerado dos processos ligados ao crime organizado e reforça pressão por resposta mais rápida da Justiça.
O Conselho Nacional de Justiça apresentou nesta segunda-feira, 23 de março, em Brasília, um novo painel sobre o crime organizado no país e revelou que 12.448 ações penais ligadas a organizações criminosas estavam pendentes ao fim de 2025. Os dados expõem o tamanho do desafio enfrentado pelo sistema de Justiça diante da expansão das facções e da pressão por respostas mais efetivas no combate a esse tipo de crime.
O levantamento também mostra que o volume de ações cresceu de forma acelerada nos últimos cinco anos. Segundo os dados apresentados, o número de processos envolvendo organizações criminosas saltou de 2.607 em 2020 para 6.761 em 2025, uma alta de quase 160% no período.
Durante o evento, o presidente do CNJ e do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que o avanço e a reconfiguração do crime organizado representam uma ameaça direta ao Estado Democrático de Direito. Na avaliação do ministro, as facções corroem instituições, capturam mercados lícitos, alimentam a violência e desafiam a presença do Estado em territórios vulneráveis.
Fachin também defendeu que o Judiciário tenha papel central nessa resposta. Segundo ele, a atuação da Justiça não pode ser periférica no enfrentamento ao crime organizado, já que sem eficiência judicial investigações se enfraquecem, condenações não se sustentam e a recuperação de ativos perde força. No encontro, o ministro ainda anunciou a criação de uma Rede Nacional de Magistrados com Competência Especializada em Organizações Criminosas, como forma de ampliar cooperação e padronizar estratégias entre juízes de diferentes regiões do país.
O tema já vinha sendo tratado como prioridade pelo CNJ para 2026. Em fevereiro, Fachin havia informado que o conselho apresentaria em março um painel nacional sobre criminalidade organizada e concentraria esforços na definição de estratégias específicas para esse enfrentamento.
Com o novo mapa em mãos, a expectativa agora é que os dados sirvam de base para políticas mais integradas entre Judiciário, forças de segurança e demais instituições públicas, em uma tentativa de acelerar julgamentos e tornar mais eficaz a resposta do Estado ao avanço das facções criminosas.



