Além dos medicamentos, oito motocicletas foram encontradas no local, o que reforça a suspeita de que a farmácia clandestina também atuava na distribuição desses produtos.
Prefeitura do Rio interdita farmácia clandestina que manipulava tirzepatida na Taquara; 10 pessoas foram levadas à delegacia
A Prefeitura do Rio interditou, na sexta-feira (13), uma farmácia clandestina de manipulação na Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, suspeita de produzir e distribuir medicamentos à base de tirzepatida, substância associada ao Mounjaro. Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), o imóvel funcionava sem licenciamento sanitário e foi alvo de fiscalização após uma denúncia feita à Central 1746. Dez pessoas foram levadas para a 32ª DP, na Taquara.
De acordo com a prefeitura, os agentes encontraram centenas de frascos de tirzepatida, além de grande quantidade de isopores, gelo e oito motocicletas no endereço, o que reforçou a suspeita de que a estrutura clandestina também era usada para distribuição dos produtos. A operação reuniu equipes da Seop, do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária (Ivisa-Rio) e da Subprefeitura de Jacarepaguá.
A ação começou por volta das 9h, quando os fiscais tocaram a campainha do imóvel e não foram atendidos. Segundo o relato oficial, funcionários tentaram fugir pelos fundos, e a Seop acionou a Polícia Civil para dar apoio. Um dos suspeitos foi detido tentando escapar com dezenas de frascos ainda refrigerados. No local, os agentes também apreenderam antibióticos, adrenalina vencida, matérias-primas armazenadas em frascos escuros, além de hidrocortisona, oxandrolona e tadalafila.
Em nota, o secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, afirmou que a fiscalização encontrou uma “grande estrutura montada de forma irregular” e destacou que cada frasco do produto costuma ser vendido por cerca de R$ 2 mil ou mais. Segundo uma análise preliminar da prefeitura, os responsáveis poderiam faturar até R$ 5 milhões com os itens encontrados no imóvel.
O caso ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre medicamentos usados para diabetes e controle de peso. A Anvisa informa que o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, foi registrado no Brasil em 2023 para controle glicêmico em adultos com diabetes tipo 2 e teve, em 2025, a indicação ampliada para controle crônico do peso em situações específicas. Desde junho de 2025, medicamentos agonistas de GLP-1 passaram a ter venda com retenção de receita no país.
A agência sanitária também intensificou alertas sobre riscos no mercado irregular. Em fevereiro deste ano, a Anvisa determinou a apreensão de lotes falsos de Mounjaro e, em janeiro, proibiu e mandou apreender produtos irregulares de tirzepatida de determinadas marcas. Até o momento, porém, a prefeitura não informou se o material encontrado na Taquara era falsificado; o que foi confirmado é que a manipulação e o funcionamento do estabelecimento ocorriam sem autorização sanitária.



